km 246,639

A partir de 15 de Agosto de 2012, e de acordo com o comunicado oficial da REFER, datado de 03 de Agosto, toda a extensão entre Torre das Vargens e Marvão-Beirão deixará de estar dada à exploração, ou seja, encerrará.

É assim, com pena, que vejo encerrar esta ligação centenária entre Portugal e Espanha, que deu origem, por exemplo, ao que hoje é o Entroncamento. Desde meados do Século XIX que se iniciaram os trabalhos preparatórios para o que viriam a ser as ligações entre Portugal e Espanha, através de duas linhas, a do Leste, que ligaria a Torre das Vargens a Badajoz, inaugurada em 1866, mas na altura pouco aproveitada, dado o sinuosos traçado na Extremadura espanhola, e mais tarde a ligação a Cáceres.

Assim, iniciaram-se os trabalhos de construção de uma nova linha, entre Cáceres e Lisboa, através da Torre das Vargens e Entroncamento (aqui com ligação ao norte) em 1878, tendo a inauguração oficial ocorrido dois anos depois. Entre Cáceres e Madrid, a ligação ferroviária ficou concluída em 1881, e onde houve aplicação de capitais portugueses, através da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses. (…)

O aparecimento de estradas com qualidade a partir dos anos ‘80 e ‘90 do século XX, aliado a uma melhoria do nível de vida das populações nos dois países, que permitiram a democratização do automóvel, e ainda a desertificação do interior levou a que os caminhos-de-ferro em Portugal perdessem clientes e por isso a importância que tinham tido até aos anos ‘70.

Por outro lado, a CP e depois a REFER, já nos anos ‘90, não parecem ter tido apoios políticos e financeiros para se adaptarem a estas novas realidades, e acabaram por ser dispicientes para com a ainda potencial procura, ao implementar horários completamente desajustados às necessidades Opinião 25 dos que ainda poderiam utilizar o comboio nas suas deslocações diárias.

Assim perderam a corrida para com o automóvel e para com o novo fenómeno dos expressos rodoviários, mais baratos, e muito mais rápidos em certos percursos. Por isso, a partir dos anos 90 do século XX, este ramal passou a ter uma progressiva redução da sua importância. Os últimos serviços internacionais de passageiros entre as duas capitais ibéricas foram o TER, através de automotoras RENFE, o serviço “Talgo-Luís de Camões” e finalmente, o que ainda permanece: o “Talgo-Lusitânia Comboio Hotel”, actualmente constituído por carruagens Talgo. Um serviço demorado entre as duas capitais, e que permite aos viajantes percorrer a distância a uma velocidade moderada, podendo aproveitar a tipologia das carruagens para alimentação e dormida.

Com a extinção dos regionais, no início de 2011, o Ramal de Cáceres passou a ter os dias contados. Sobraram ligações ferroviárias de mercadorias, sendo as últimas, o Teco Ibérico, mais recentemente chamado “Iberian Link”, e também ainda em 2011 uma ligação regular explorada pela empresa privada de transportes ferroviários de mercadorias Takargo.

Rui Elias Maltez, setembro de 2012

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