Tropa-Fandanga

 

 

Cem anos depois da I Guerra, 40 sobre o fim da guerra colonial e o 25 de Abril, quase 30 sobre a entrada de Portugal na CEE e 22 após a última vez que a teatro do Estado abriu as portas à revista (Passa por mim no Rossio), Tropa-Fandanga “é 2014 a rever 2013 ou 1914 a rever 1913?” Para o Teatro Praga é mais do que uma revisitação, uma reconstrução ou uma apropriação. É o mais difícil exercício a que alguma vez se sujeitaram. E, por isso, ao fim de duas horas e meia de espectáculo os dourados que forram o palco do Nacional são a única coisa que guarda a compostura, como as cadeiras da sala que sobrevivem sempre ao cansaço dos que nelas se sentam. Os actores, esses, vestidos de chita com padrões que lembram os sofás também eles forrados, cruzam o palco guardando ainda com brio a experiência – física, emocional, inventiva – que parece a antítese do que seria admissível num Teatro Nacional, a antítese do cinismo habitual do Teatro Praga e, benzamo-nos, o contrário do próprio teatro de revista que há muito se esqueceu do que já foi: sagaz, ácido, mordaz, crítico, vil, denunciador, conspirador e, no fundo, igual ao que de mais profundo somos, intensamente utópicos.

Tiago Bartolomeu Costa sobre “Tropa-Fandanga” uma revista à Portuguesa do Teatro Praga

de 20 de Fevereiro a 16 de Março de 2014 no Teatro Nacional D. Maria II

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s