subviving january

quando decidi que estava na altura de voltar a estudar, e encetei o processo de seleção de cursos e escolas, tinha como principal objetivo atingir o grau de mestre, na esperança que esse patamar académico me permitisse galgar a escada corporativa, permitindo-me ter um estilo de vida mais desafogado que fizesse com que tivesse finalmente tempo e disponibilidade mental para, tipo, começar a viver.
a escolha natural seria sempre uma área onde a criatividade tivesse um peso mais preponderante do que as experiências de trabalho até aqui acumuladas. não necessariamente uma mudança radical de área de intervenção profissional mas talvez uma adaptação, uma acumulação. a experiência era/é de gestão de projetos de intervenção social. a vocação,.
uma lacuna comum a todas as intervenções com as quais tive contato nestes seis anos, flagrante, era a falta de políticas de intervenção pela arte. havia, e há, sempre dados medidos milimetricamente sobre todas as variáveis passíveis de influenciar todas as outras valências de cada projeto, mas a formação, ou o contato, a introdução, a exposição, a promoção da experiência e da vivência, pela via artistica ou cultural era apenas um acessório irrisório, impensado e inconsequente, programado ao sabor das tendências ditadas pela mtv ou pela cidadefm, muito como acontece hoje em dia com a música ai se eu te pego, que está em todos os festivais comunitários de apresentação pública de resultados de atividades, vulgo saraus.
é nessa área que quero trabalhar.
não se podem promover planos de vida sedimentados baseados em produtos efémeros.
é preciso saber quem somos (folclore, etnologia, etnografia, arqueologia, história, dança, teatro, pintura, literatura, música ) para saber quem queremos ser. e isso não se descobre ao som de hip hop, pura e simplesmente porque não estamos nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de nova iorque e essa não é a nossa realidade. mesmo que se advogue que a realidade pode ser adoptada e que o ser humano globalizado acede a ser quem quiser, quem é que quer ser um excluído de um gueto de nova iorque?
construamos melhores imagens de nós próprios.
isso só será possível com bons programas de inclusão pela arte em que, para princípio, se deixe de utilizar a palavra inclusão para catalogar. é um programa de arte. se a ideia é incluir, o próprio conceito daquilo que se faz não deve refletir o que se quer eliminar. o resultado deve valer por si, sem a etiqueta.
é necessário filtrar qualitativamente as propostas possíveis, e analisar as opções com base em critérios pré definidos e públicos, enunciados com base em extensa literatura, por equipas multidisciplinares de especialistas de cada área interessada.
é indispensável comunicar planear, organizar, liderar e controlar.
é essencial dotar as comunidades em risco de exclusão de ferramentas que lhes permitam, efetivamente,  inverter essa tendência. 
é essencial a dessacralização da obra de arte e imperativa a democratização cultural.
é preciso ver pina bausch desde pequenino.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s